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A comissão científica do CBA 2010 elegeu entre os trabalhos científicos participantes os cinco trabalhos destaques.
Os mesmos serão publicados na próxima edição da Revista MEDVEP e todos os trabalhos participantes serão inseridos no PORTAL DA ANCLIVEPA-BRASIL. www.anclivepabrasil.com.br
1. LEIOMIOSSARCOMA ORAL EM CÃO JOVEM.
2. HEMATOPOIESE EXTRAMEDULAR DECORRENTE DE HEMANGIOSSARCOMA EM CÃO – RELATO DE CASO.
3. LINFADENITE NEUTROFÍLICA OCASIONADA POR PASTEURELLA MULTOCIDA EM FELINO DOMÉSTICO .
4, EXTRUSÃO DE DISCO INTERVERTEBRAL EM DACHSHUND: COMPARAÇÃO ENTRE DIAGNÓSTICO RADIOGRÁFICO E TOMOGRÁFICO.
5. EFEITOS DA VENTILAÇÃO COM PRESSÃO DE SUPORTE SOBRE AS VARIÁVEIS CARDIOVASCULARES E RESPIRATÓRIAS EM CÃES ANESTESIADOS COM PROPOFOL.
LEIOMIOSSARCOMA ORAL EM CÃO JOVEM.
Víviam Nunes Pignone; Rosemari Oliveira; Diego Sampaio; Lanucha Fidelis da Luz Moura; Luciana Oliveira1; Grace Leiria Ligocki; Verônica Noriega Torres.
RESUMO:
O leiomiossarcoma consiste em um tumor mesenquimal proveniente da musculatura lisa de rara incidência na cavidade oral. Em cães há poucas referências quanto ao seu diagnóstico, manejo e prognóstico, dificultando a conduta. O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de leiomiossarcoma oral em um canino de três anos, o qual foram realizadas duas intervenções cirúrgicas, associação de eletroquimioterapia e bioterápico autógeno como terapia adjuvante na sobrevida do paciente. Após o primeiro exame clínico observou-se presença de um tumor na maxila de aproximadamente 2,5cm x 2,0cm de diâmetro com envolvimento ósseo, confirmado pela radiografia intra-oral da região afetada, optando-se pela realização de maxilectomia parcial esquerda do canino ao quarto pré-molar até a rafe palatina. O primeiro laudo histopatológico revelou épulis fibromatoso, porém, após três meses houve recidiva sobre o flape mucoperiostal, onde o segundo laudo revelou tratar-se de leiomiossarcoma oral. Com a evolução e acompanhamento do caso pode-se concluir que este tumor possui alta recidiva local, e o tratamento baseia-se na ressecção do tumor com ampla margem de segurança.
Abstract:
Leiomyosarcoma is a mesenchymal tumor originating from smooth muscle and it is rare in the oral cavity. In dogs there are few references regarding their diagnosis, management and prognosis, hindering their management. This paper aims to report a case of oral leiomyosarcoma in a dog with three years old, which were performed two surgeries, an association electrochemotherapy and biotherapic autogenous as adjuvant therapy on patient survival. After the first clinical examination showed a tumor in the jaw of about 2.5 cm x 2.0 cm in diameter with bone involvement, confirmed by intra-oral radiographs of the affected region, opting to perform the partial maxillectomy of the left canine fourth premolar to the median raphe. The first pathologic diagnosis was fibromatous epulis, however, ater three months there was recurrence of the mucoperiosteum flap, where the second report revealed it is oral leiomyosarcoma. With the development and monitoring of the case can be concluded that the leiomyosarcoma has a high local recurrence, and treatment based on tumor resection with wide margin of safety.
Palavras-chave: neoplasia oral; canino; tumor maligno, maxila.
Keywords: oral neoplasia; dog; malignant tumor, jaw
INTRODUÇÃO:
Os tumores orais ocupam o quarto local mais frequente de neoplasia em cães e gatos. Entre os tumores malignos mais incidentes na espécie canina destacam-se o melanoma, o carcinoma de células escamosas e o fibrossarcoma (1,2,3). Entretanto, o leiomiossarcoma oral consiste em um tumor mesenquimal proveniente da musculatura lisa, raro, principalmente se tratando de tumor primário (4,8). Este é mais comumente encontrado no trato gastrointestinal (5) e útero, caracterizado por ser invasivo localmente, podendo gerar mestástase em linfonodos regionais (2,4,8), pulmão(8) e fígado (5,8). O diagnóstico definitivo da-se através do exame histopatológico, além da imuno-histoquímica (4,6,7). O tratamento de eleição consiste na remoção em bloco com ampla margem de segurança (1,4,8).
O presente relato visa descrever um caso de leiomiossarcoma oral em canino jovem, SRD, com recidiva local agressiva, onde foram realizadas diferentes terapias desde maxilectomia parcial, eletroquimioterapia e bioterápico autógeno, sem sucesso a longo prazo, dando ao paciente uma sobrevida de 9 meses.
MATERIAIS E MÉTODOS:
Um canino SRD, fêmea, com 3 anos, 20kg, chegou à Clínica Veterinária Doutor de Bicho apresentando alteração no comportamento, como passar as patinhas no focinho, dor, hiporrexia e presença de sangue no bebedouro. Ao exame clínico observou-se um aumento de volume sugestivo de neoplasia oral na maxila desde a face vestibular do segundo e terceiro pré-molares esquerdo em direção ao palato duro, o qual dobrou de tamanho após uma biópsia incisional em duas semanas. Foi indicado a realização de exames pré-cirúrgicos como hemograma, creatinina, uéria, ALT, FA, os quais se encontravam dentros dos padrões de normalidade para a espécie.
Decorrido dois dias, o paciente foi anestesiado, sendo utilizado como medicação pré-anestésica acepromazina (0,05mg/kg IM) associada com morfina (0,5mg/kg IM), indução com propofol (4mg/kg IV) e manutenção com isoflurano ao efeito. Como antibioticoterapia profilatica aplicou-se ampicilina (20mg/kg IV). Com o paciente anestesiado inspecionou-se melhor o tumor, que apresentava consistência firme, ulcerado, e a radiografia intra-oral revelou envolvimento ósseo distal ao canino e mesial ao quarto pré-molar superior do lado afetado caracterizando, uma neoplasia maligna.
Como tratamento cirúrgico optou-se na realização de maxilectomia parcial desde o canino ao quarto pré-molar até 2mm para a direita da rafe palatina, presenvando a artéria palatina maior direita. A anti-sepsia foi realizada com clorexidina 0,12% em toda a cavidade oral, seguido da colocação dos panos de campo e sutura desde ao redor dos lábios. A mucosa oral e o palato duro foram incisadas com lâmina de bisturi nº15, divulsão dos tecidos com auxílio da tesoura de íris curva até exposição do osso maxilar. A área a ser removida foi delimitada primeiramente com cinzel e martelo para posterior aprofundamento deste sulco e ressecção em bloco, após ligadura do plexo infra-orbitário esquerdo com poliglactina 910 3-0. O sítio cirúrgico foi lavado com solução salina estéril para fechamento da comunicação oronasal a partir de um flape mucoperiostal na mucosa oral a partir de duas incisões paralelas, divulsionando até próximo ao lábio evitando tensão.
Este foi suturado com o mesmo fio intercalando pontos isolados simples e colchoeiro horizontal com a finalidade de evitar deiscência.
O material foi encaminhado para exame histopatológico, o qual afirmou trata-se de um épulis fibromatoso. Entretanto, decorrido 3 meses, o tumor recidivou sobre o flape da mucosa oral com crescimento rápido.
O paciente foi submetido a nova interveção cirúrgica onde pode-se observar que o tumor encontrava-se nas conchas nasais esquerda, sem comprometimento do septo internasal, com presença de sercreção mucopurulenta, a qual drenava pela narina esquerda. Na radiografia extra-oral do crânio pré-cirúrgica não foi evidenciado envolvimento ósseo, assim como ausência de metástase na radiografia torácica e na ecografia abdominal total. Esta segunda porção removida foi enviada novamente para análise histopatológica, confirmando o diagnóstico de leiomiossarcoma, e a partir do fragmento colocado em solução salina foi produzido um bioterápico autógeno, preparado a partir de células aspiradas, na dinamização CH18. Decorrido 30 dias da segunda intervenção cirúrgica, houve recidiva pela terceira vez, onde foi realizado eletroquimioterapia, com duração de uma hora, no Hospital de Clínicas Veterinárias do Rio Grande do Sul (HCV–UFRGS). O paciente teve acompanhamento semanal e pode-se notar redução do tumor significativa desde a primeira até a terceira semana, sendo medicado com meloxicam (0,1 mg/kg VO) durante 10 dias.
Entretanto, após quase três meses da sessão de eletroquimioterapia, mesmo fazendo tratamento com o bioterápico autógeno diariamante, o tumor recidivou pela quarta vez de maneira agressiva, com aumento do globo ocular esquerdo, gerando dor e desconforto para o animal. O proprietário optou em manter o animal com antiinflamatório (carploflan 4,4mg/kg SID VO) e analgésico (cloridrato de tramadol 3mg/kg BID VO) até o momento em que este não consiga mais se alimentar e esteja sofrendo.
RESULTADOS E DISCUSSÕES:
O leiomiosarcoma trata-se de uma neoplasia maligna de origem mesenquimal de rara incidência oral, representando cerca de 0,77% (7), sendo considerada um sarcoma mais comum no trato gastrointestinal e trato genital de fêmeas (5,8).
Tanto em cães como em humanos este tumor tem maior incidência em machos (4,8), contrapondo ao presente relato. As características clínicas do tumor são compatíveis com a literatura, onde as possíveis causas de úlcera na neoplasia podem ser justificadas pela mastigação, seja através da alimentação ou brinquedos (4). Entretanto, dois terços dos casos de leiomiossarcoma oral em humanos não apresentam-se ulcerados e o local de predileção consiste na maxila (4,8), como observado neste caso. Com o tratamento cirúrgico, ainda sem o diagnóstico definitivo, obteve-se maior período sem recidiva, a partir da maxilectomia parcial. Conforme encontrado na literatura, a maior chance de cura ocorre através da ressecção da neoplasia com ampla margem de segurança (1,2,4,8), podendo realizar radioterapia como terapia de suporte pós-operatória (8). O paciente não apresentou sinais de metástase, porém pode desenvolvê-la nos linfonodos mandibulares (4,8), pulmão (8) e mais raramente no fígado (8).
Apesar da imuno-histoquímica ser de grande valor diagnóstico, utilizando coloração de HE também foi possível esta confirmação (6,7). O uso da eletroquimioterapia no início da recidiva do tumor mostrou resultado satisfatório na regressão do leiomiossarcoma, entretanto este resurgiu na face vestibular, próximo aos molares superiores esquerdos, com crescimento contínuo. Todavia, esta rápida evolução do leiomiossarcoma poderia ter sido ainda maior sem o uso do bioterápico autógeno diário.
CONCLUSÕES:
O tratamento cirúrgico com ampla margem de segurança aliada ao correto diagnóstico são de extrema importância no sucesso da terapia. Todavia, pode-se concluir que o leiomiossarcoma possui alta recidiva local, e que o uso da eletroquimioterapia é responsiva nestes casos. O uso de bioterápico autógeno é relevante, mas apenas como tratamento paliativo. Infelizmente, o uso de radioterapia como adjuvante na terapia pós-operatória não foi realizada, uma vez que não dispomos desta alternativa na região.
REFERÊNCIAS:
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2. SÉGUIN B. Tumores de Mandíbula, Maxila e Calvária. In: SLATTER, D. Manual de Cirurgia de Pequenos Animais. 3 ed. São Paulo: Manole, v.2. p. 2488-2502, 2007.
3. HEDLUND, C.S.; FOSSUM, T.W. Surgery of the Oral Cavity and Oropharynx. In: FOSSUM, T.W. Small Animal Surgery. 3 ed. St. Louis: Mosby Elsevier, p. 339-371, 2007.
4. BOY, S.C; VAN HEERDEN, W.F.P.; STEENKAMP, G. Diagnosis and treatment of primary intraoral leiomyosarcomas in four dogs. The Veterinary Record, v.156, p. 510-513, 2005.
5. THOMSON, M. Trato Alimentar e Pâncreas. In: SLATTER, D. Manual de Cirurgia de Pequenos Animais. 3 ed. São Paulo: Manole, v.2, p. 2368-2382, 2007.
6. SOBRAL, A.P.V.; NASCIMENTO, G.J.F.; SOUBHIA, A.M.P.; JUNIOR, D.S.P.; ARAÚJO, N.S. Leiomiossarcoma de boca: Estudo histoquímico e imuno-histoquímico de dois casos clínicos. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 40, p. 358-363, 2004.
7. FELIZZOLA, C.R.; STOPIGLIA, A.J.; ARAÚJO, N.S. Oral Tumors in Dogs. Clinical Aspect, Exfoliative Cytology and Histopathology. Ciência Rural. v. 29, p.499-506, 1999.
8. SCHENBERG, M.E.; SLOOTWEG, P.J.; KOOLE, R. Leiomyosarcoma of oral cavity. Report of four cases and review of the literature. Journal of Cranio-Maxillo-Facial Surgery, v. 21, p. 342-347, 1993.
HEMATOPOIESE EXTRAMEDULAR DECORRENTE DE HEMANGIOSSARCOMA EM CÃO – RELATO DE CASO.
Fernanda Figueiredo Mendes, Danilo Ferreira Rodrigues, Erica Correa Batista, Andre Marcelo Conceição Meneses², Adriana Maciel de Castro Cardoso
RESUMO:
A hematopoiese extramedular (HE) é um mecanismo compensatório raro que surge em pacientes com distúrbios medulares graves para a correção do déficit de células sanguíneas no organismo, sendo uma de suas causas as anemias arregenerativas decorrentes de hemangiossarcoma. O objetivo dos pesquisadores é descrever um caso clínico de HE hepática decorrente de hemangiossarcoma em cão. Fquioi atendida no Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural da Amazônia (HOVET/UFRA) uma cadela SRD, com oito anos de idade e peso vivo de 10kg com histórico de êmese, anorexia, letargia, oligúria e presença de uma massa irregular de consistência firme no fígado.
Dois meses antes, o animal já havia sido submetido à esplenectomia total devido a presença de hemangiossarcoma com peso de aproximadamente 3kg. A ultrassonografia evidenciou aumento das dimensões hepáticas, dilatação de vasos e dutos hepáticos, paredes espessadas, presença de duas áreas nodulares soltas na cavidade abdominal com aproximadamente quatro centímetros cranial a bexiga e ascite.O hemograma constatou anemia arregenerativa e leucocitose. Foi indicado tratamento sintomático, paracentese para drenagem do líquido cavitário sanguinolento, e laparotomia exploratória com transfusão sanguínea total.
Foram administrados metoclopramida (1mg/kg IV), antibioticoterapia com metronidazol (25mg/kg BID) e ampicilina (25mg/kg BID) por via oral e fluidoterapia com solução de ringer com lactato acrescidos de vitaminas C e do complexo B. Durante a cirurgia foi identificada metástase em todos os órgãos abdominais e peritônio e optou-se pela realização da eutanásia. Durante a necropsia foi colhido material para exame histopatológico, tendo como resultado hemangiossarcoma e um achado relevante foi a presença de metaplasia mielóide hepática. O histórico da paciente com hemangiossarcoma, hemorragia crônica e sequestro sanguíneo por perda e nutrição da neoplasia levaram a anemia grave e persistente, o qual desencadeou um comportamento compensatório formando sítios de HE hepática.
Doenças altamente debilitantes, normalmente de curso crônico como piometra, anemia hemolítica imunomediada, trombocitopenia imunomediada, anemia crônica por diversas causas, doenças infecciosas, neoplasias malignas, amiloidose, síndrome hipereosinofílica e lúpus eritematoso sistêmico podem resultar no aparecimento de sítios HE em diferentes órgãos.
A HE é um mecanismo compensatório muitas vezes causador de desconfiança, pois apesar de ajudar na manutenção da produção de células para o organismo com necessidades, trata-se de uma proliferação celular diferente das células características do órgão onde está localizada. Deve-se avaliar cuidadosamente o comportamento desta, que pode em algum momento gerar dúvidas quanto sua natureza benigna.
Há casos em que o aparecimento de focos de HE em um paciente nem sempre é algo que vá contribuir para a melhora do quadro, pois depende do local e do tamanho do sítio, em que pode-se tornar prejudicial e exigir do clínico conhecimento sobre o assunto para realização de procedimentos que impeçam o desenvolvimento do problema e haja a melhora do quadro clínico.
Portanto, o conhecimento sobre HE é necessário para a avaliação satisfatória do quadro clínico de um paciente, e escolha da melhor conduta terapêutica.
Palavras-chave: Neoplasia esplênica, mecanismo compensatório, metaplasia mielóide
LINFADENITE NEUTROFÍLICA OCASIONADA POR PASTEURELLA MULTOCIDA EM FELINO DOMÉSTICO.
Talyta Lins Nunes, Geyanna Dolores Lopes Nunes, Renato Otaviano do Rego, Valéria Amanda Lima de Freitas, Valéria Veras de Paula, Kilder Dantas Filgueira.
RESUMO:
O isolamento da bactéria Pasteurella multocida é incomum na linfadenite neutrofilica de gatos. Além disso, tal microrganismo possui papel zoonótico. O trabalho objetivou descrever, em felino, uma linfadenite neutrofílica devido a P. multocida. Uma gata, com sete anos, raça siamês, apresentava aumento de volume na região axilar esquerda. O animal foi examinado. Solicitou-se citologia da alteração axilar. Optou-se por drenar o conteúdo presente na região acometida e o material obtido foi encaminhado para cultura. Prescreveu-se amoxicilina associada à clavulanato de potássio, meloxicam e anti-séptico de clorexidine. O animal apresentava hipertrofia do linfonodo axilar esquerdo. A citologia detectou neutrófilos (acima de 5%), linfócitos e cocobacilos, conduzindo o diagnóstico de linfadenite neutrofílica associada à infecção bacteriana.
A cultura do material do linfonodo isolou P. multocida. Foi mantida a terapia inicial e ocorreu remissão da patologia. Em felinos, o linfonodo com sinais de inflamação deve ser submetido a exame citológico e isolamento dos possíveis microrganismos envolvidos, como a P. multocida, destacando-se a importância dessa bactéria para a saúde pública.
Palavras-chave: Linfonodo; inflamação; bactéria; zoonose; gatos.
ABSTRACT:
The isolation of Pasteurella multocida bacterium is uncommon in neutrophilic lymphadenitis in cats. Furthermore, such organism plays a zoonotic role. This study aimed to describe, in a cat, a neutrophilic lymphadenitis due to P. multocida. A seven- year-old Siamese female cat presented swelling in the left axillary region.
The animal was examined. Axillary cytology was required. It was decided to drain the contents present in the affected region and the material obtained was sent for culture. Amoxicillin associated with clavulanate potassium, meloxicam and antiseptic chlorhexidine were prescribed. The animal presented hypertrophy of the left axillary lymph node. Cytology detected neutrophils (up 5%), lymphocytes and coccobacilli, leading to the diagnosis of neutrophilic lymphadenitis associated with bacterial infection.
The culture of the lymph node material isolated P. multocida. The initial therapy was kept and remission of the disease occurred. In cats, the lymph node with signs of inflammation must be submitted to cytological examination and isolation of possible microorganisms involved, such as P. multocida, highlighting the importance of this bacterium to public health.
Keywords: Lymph nodes; inflammation; bacteria; zoonosis; cats.
INTRODUÇÃO:
Devido as suas funções, o sistema linfático é susceptível a inúmeras infecções. A linfadenopatia é definida como aumento de volume do linfonodo, mas nos casos de infiltração por polimorfonucleares ou macrófagos, o termo linfadenite é usado para se referir a esse distúrbio (1, 2). Quando os neutrófilos predominam, a linfadenite é classificada como neutrofílica (3), a qual pode sugerir a presença de infecção bacteriana. Nos felinos, citam-se diversas bactérias relacionadas com a linfadenite (2, 3).
Todavia, a associação com a Pasteurella multocida não é comumente observada. Esse microrganismo é um cocobacilo que faz parte da microbiota dos gatos. A sua presença no organismo animal pode predispor a septicemia hemorrágica e pneumonia (5). Essa bactéria é classificada como um agente zoonótico (4).
Em virtude do isolamento incomum da P. multocida nos linfonodos de gatos e de tal microrganismo assumir considerável importância na clínica veterinária e no campo da saúde pública, o presente trabalho objetivou descrever um caso de linfadenite neutrofílica decorrente da infecção por P. multocida em um exemplar da espécie felina.
MATERIAL E MÉTODOS:
Um felino, fêmea, com sete anos de idade, da raça siamês, foi encaminhada para o hospital veterinário da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Mossoró, RN). A gata apresentava o histórico de aumento de volume flutuante na região axilar esquerda.
A proprietária não soube informar o tempo de evolução do processo. O animal foi submetido ao exame físico. Em seguida solicitaram-se exames complementares. Esses corresponderam, inicialmente, a hemograma completo e citologia por punção aspirativa com agulha fina (sendo essa última realizada a partir de amostra da tumefação axilar). Optou-se por adotar um protocolo de tranquilização com acepromazina (0,07mg/kg, via intramuscular) no animal com o objetivo de drenar todo o conteúdo presente na região acometida.
O material obtido foi encaminhado para cultura bacteriana. A amostra foi semeada em ágar sangue e ágar MacConkey, com incubação em aerobiose a 370C. Posteriormente foi submetida à análise macroscópica, testes bioquímicos e estudo microscópico das colônias pela coloração de Gram. Como terapia para o felino, realizou-se fluidoterapia e anti-pirético, prescrevendo-se posteriormente amoxicilina associada à clavulanato de potássio (22mg/kg, via oral, a cada 12 horas por 15 dias), meloxicam (0,1mk/kg, via oral, a cada 24 horas por três dias) e anti-séptico a base de clorexidine. A paciente foi acompanhada periodicamente.
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Clinicamente o animal apresentava-se apático, com hiporexia e hipertermia. Constatou-se hipertrofia do linfonodo axilar esquerdo, o qual revelava áreas de consistência flutuante. A superfície cutânea não estava ulcerada, porém encontrava-se distendida.
No hemograma ocorreu leucocitose associada à neutrofilia. O exame citológico detectou a presença de neutrófilos íntegros e degenerados (acima de 5%), linfócitos pequenos e médios, além de uma grande quantidade de cocobacilos. Esses achados conduziram ao diagnóstico de linfadenite neutrofílica associada à infecção bacteriana. Na drenagem do linfonodo houve presença de grande volume de exsudato purulento. Após 34 horas da cultura, observaram-se colônias de bactérias de bordas lisas, ligeiramente proeminentes, de coloração cinza, com 1 a 2 mm de diâmetro, não hemolíticas.
Ocorreu fermentação da glicose, sacarose e lactose, redução do nitrato e positividade nas provas da catalase e oxidase. Na análise microscópica das colônias havia a presença de pequenos cocobacilos Gram negativos. Esses achados foram compatíveis com a P. multocida, identificando desta forma a espécie do agente bacteriano envolvido com a linfadenite. Foi permanecida a terapia prescrita inicialmente.
As avaliações clínicas posteriores revelaram uma adequada recuperação do animal e remissão do processo infeccioso e inflamatório.
A P. multocida é uma bactéria que faz parte da microbiota de gatos, cães e outros animais domésticos e selvagens, podendo causar principalmente pneumonia e septicemia. Este microrganismo provoca infecções de pele e tecidos adjacentes ao local da inoculação, com a possibilidade de alcançar a corrente sangüínea e se disseminar pelo organismo. Estima-se que a P. multocida esteja presente como comensal em 90% dos gatos saudáveis (4).
Na espécie felina, essa bactéria já foi isolada com uma maior freqüência em condições patológicas, como nos abscessos orbitais, abscessos cutâneos, celulite, piotórax e pneumonia fibrinosa além de ocasionar infecções secundárias em pacientes portadores de panleucopenia felina, como pleurite hemorrágico-fibrinosa, pneumonia catarral e peritonite (6, 7, 8). Entretanto na literatura consultada não foi constatada a P. multocida como etiologia da linfadenite em gatos (2, 3), demonstrando a carênia de relatos da associação dessa bactéria com tal processo inflamatório nesses animais.
Contudo, a linfadenite na espécie felina encontra-se normalmente relacionada a outros agentes bacterianos como Actynomyces spp., Corynebacterium spp., Nocardia spp., Yersinia pestis, Francisella tularensis além de espécies dos gêneros Streptococcus e Mycobacterium.
Outras etiologias relacionadas à linfadenite infecciosa felina correspondem aos fungos, parasitas e vírus (2, 3).
O termo linfadenopatia solitária ou isolada refere-se ao crescimento de um único linfonodo (3). A maioria dos casos de linfadenopatia superficial solitária em gatos resulta de processos inflamatórios ou infecciosos localizados, enquanto as linfadenopatias profundas (intra-abdominal, intra-torácica) estão relacionadas com neoplasias metastáticas ou micoses sistêmicas (2).
Logo, o felino em questão demonstrou um padrão semelhante à descrição da literatura, uma vez que a linfadenite foi única, superficial e relacionada com etiologia infecciosa. Os linfonodos acometidos por processos inflamatórios aparecem mais flácidos, sensíveis e quentes do que o normal, e aderem a estruturas circunjacentes (3). Ocorre hiperemia e edema, com distensão dos seios linfóides. Habitualmente, os seios distendidos contêm um número variável de neutrófilos e macrófagos. Se houver presença de bactérias e essas tornarem-se encarceradas pelo linfonodo, a reação inflamatória é claramente purulenta (5).
O paciente também pode demonstrar anormalidades como febre, hiporexia, anorexia e letargia (1). A maioria dos sinais clínicos locais e sistêmicos acima citados foi observada no animal do presente relato.
As técnicas mais úteis para avaliação de pacientes com linfadenopatia são a citologia do material obtido por aspiração com agulha fina e biopsia de linfonodo (1). A avaliação citológica do aspirado de linfonodo fornece informações para identificar o tipo de afecção no local (2, 3). Os aspectos citológicos da linfadenite variam com o agente etiológico e tipo de reação promovida (3).
A linfadenite neutrofílica, também denominada de purulenta ou supurativa, é caracterizada por envolver mais que 5% dos neutrófilos e pode estar associada com enfermidades bacterianas, neoplásicas ou imunomediadas (9). Entretanto, apesar da presença de uma maioria de neutrófilos indicarem uma inflamação supurativa, não necessariamente ocorrerá associação com bactérias (10). Para o caso em discussão, a citologia foi fundamental para o diagnóstico da patologia, pois a caracterizou como de natureza inflamatória e evidenciou a sua relação com o agente etiológico, o que conduziu a solicitação de cultura bacteriana para isolamento da espécie envolvida.
O hemograma também pode ser solicitado como exame complementar uma vez que o mesmo demonstra achados relacionados com processo inflamatório, como por exemplo, leucocitose em decorrência de neutrofilia com desvio para a esquerda (3). A linfadenite bacteriana em questão poderia explicar a ocorrência de tais alterações hematológicas.
O tratamento apropriado da linfadenite bacteriana geralmente leva o paciente à recuperação completa (1). Em testes de suscetibilidade in vitro aos antimicrobianos, a P. multocida demonstrou sensibilidade à ampicilina, amoxicilina, gentamicina, nitrofurantoína, penicilina, eritromicina, cloranfenicol e tetraciclina (4). Como terapia antibacteriana específica, a associação da amoxicilina com o ácido clavulânico é atualmente a mais recomendada. A utilização do ácido clavulânico se justifica graças a sua capacidade de inibir a lactamase, mediada por plasmídeo, a qual é produzida pela P. multocida (4). Para o felino relatado, a escolha da amoxicilina associada ao ácido clavulâncico pode justificar a remissão de todo processo infeccioso e perfeita recuperação do animal, associado à terapia sintomática, como fluidoterapia e utilização de anti-pirético e anti-inflamatório. Caso a gata não viesse a possuir um adequado tratamento, a infecção localizada poderia evoluir para septicemia em virtude das características do agente etiológico.
A P. multocida dos felinos domésticos tem grande importância para a saúde publica, uma vez que pode ser transmitida ao ser humano pela mordida de gatos (4). Pessoas imunocomprometidas ou indivíduos expostos às espécies do gênero Pasteurella são mais susceptíveis a desenvolverem doença clínica sistêmica quando comparados a outras bactérias adquiridas pela mordedura de outros animais. Inicialmente é observada celulite local, seguida de infecção de tecidos mais profundos.
É possível ocorrer osteomielite subjacente. Sinais clínicos de bacteremia são comuns, a qual pode desencadear o óbito especialmente em seres humanos esplenectomizados. A P. multocida já foi isolada a partir dos pulmões de um homem com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) que possuía apenas contato passivo com um gato (11). No animal em discussão, uma vez isolada a bactéria acima citada, a proprietária foi orientada a estabelecer um adequado manejo do felino e sua respectiva lesão no sentido de evitar a exposição direta e freqüente de pessoas com a fonte de infecção do microrganismo. Até o presente momento não ocorreu relato de contaminação dos seres humanos que possuíram contato com a gata em questão.
CONCLUSÃO:
Em felinos, o linfonodo que venha a apresentar característica clínica sugestiva de processo inflamatório, deve ser submetido a exame citológico no sentido de confirmar e classificar a linfadenite, além de detectar uma possível etiologia infecciosa. Entretanto o isolamento dos microrganismos envolvidos é fundamental para estabelecer uma adequada terapêutica para o animal associada à adoção de medidas preventivas para os contactantes humanos, pois alguns agentes, como a P. multocida demonstram potencial zoonótico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
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2. NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina interna de pequenos animais. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2001, 1084p.
3. ETTINGER, S. J.; FELDMAN, E. C. Tratado de medicina interna veterinária - doenças do cão e do gato. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2004, 2256p.
4. KREWER, C. C.; MABONI, F.; WITT, N. M.; ALVES, S. H.; VARGAS, A. P. C. Transmissão de Pasteurella multocida para humano através de mordida de gato – relato de caso. Veterinária Notícias, v.14, n.1, p.77-80, 2008.
5. JONES, T. C.; HUNT, R. D.; KING, N. W. Patologia veterinária. 6 ed. São Paulo: Manole. 2000, 1415p.
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7. WILLOUGHBY, K.; BENNETT, M. Outras infecções. In: CHANDLER, E. A.; GASKELL, C. J.; GASKELL, R. M. Clínica e terapêutica em felinos. 3 ed. São Paulo: Roca, p.553-567, 2006.
EXTRUSÃO DE DISCO INTERVERTEBRAL EM DACHSHUND: COMPARAÇÃO ENTRE DIAGNÓSTICO RADIOGRÁFICO E TOMOGRÁFICO.
Nathália Bragato, Pryscilla Vanesa Rodrigues Gonçalves, Andria Melo Bogoevich, João Ricardo Nardoto, Paula Costa Ariza, Naida Cristina Borges.
RESUMO:
A extrusão do disco intervertebral ou hérnia Hansen tipo I é comum em cães, tendo maior ocorrência em raças condrodistróficas como é o caso do Duchshund. Os sinais clínicos em geral se desenvolvem dos dois aos seis anos de idade e dependem da localização da lesão espinhal e da gravidade da lesão medular, sendo que alguns animais não apresentam dor nem déficits neurológicos e outros sofrem lesão compressiva grave da medula. A maioria das extrusões ocorre entre T11 e L2.
Além do exame clínico, histórico e exame neurológico, a mielografia e a mielotomografia trazem grande contribuição para o diagnóstico da extrusão de disco. Este trabalho tem como objetivo comparar o uso de radiografia simples e mielografia com o uso da mielotomografia para o diagnóstico da extrusão de disco intervertebral em um cão encaminhado para o Centro de Diagnóstico Veterinário Diagnopet em Brasília.
Palavras chave: mielografia, mielotomografia computadorizada, lesão medular.
ABSTRACT:
The intervertebral disk extrusion our hernia Hansen type I is common in dogs, principally in condrodistrophic dogs like dachshunds. Most of the time the clinical sings develop to three from six years old, and depend from the lesion location and the medullar lesion severity, although some dogs do not show pain or neurological deficits, but other could have serious medullar compressive lesion. The most of extrusions occurs between T11 and L2. The diagnostic is based on the anamnesis, clinical and neurological exams, myelography and mielotomography are important ways to diagnose disk extrusion. This paper compare simple radiography and myelography with the computer myelotomography for the intervertebral disk extrusion diagnosis in a dog sent to Centro de Diagnóstico Veterinário Diagnopet in Brasília.
Key words: myelography, computer mielotomography, medullar lesion.
INTRODUÇÃO:
A extrusão do disco intervertebral ou hérnia Hansen tipo I é comum em cães, tendo maior ocorrência em raças pequenas como o Dachshund, Poodle Toy, Pequinês, Beagle, Welsh Corgi, Lhasa Apso, Shih Tzu e Cocker Spaniel. Nessas raças, a degeneração condróide do disco intervertebral, incluindo a mineralização do núcleo, ocorre antes dos dois anos de idade. O anel fibroso se rompe e a extrusão aguda do núcleo pulposo resulta em dor ou compressão da medula espinhal e déficits neurológicos1, 2.
Os sinais clínicos em geral se desenvolvem dos dois aos seis anos de idade e dependem da localização da lesão espinhal e da gravidade da lesão medular. Alguns animais não apresentam dor nem déficits neurológicos, outros sofrem lesão compressiva grave da medula³. A maioria das extrusões de disco ocorre na porção toraco-lombar da medula espinhal, com 65% das lesões ocorrendo entre T11 e L2, resultando em sinais de neurônio motor superior nos membros posteriores, com membros anteriores normais. A doença de disco cervical pode resultar em sinal de neurônio motor superior em todos os quatro membros, embora o maior diâmetro do canal vertebral nesta região torne incomum a compressão significativa da medula espinhal, e a maioria dos cães apresenta dor cervical sem nenhum déficit neurológico¹.
Um diagnóstico presuntivo da extrusão de disco intervertebral pode ser firmado com base na idade, raça, história e sinais clínicos, entretanto, outras causas de mielopatia transversal ou de dor aparente devem ser consideradas no diagnóstico diferencial. O exame neurológico e a detecção de uma área específica de dor espinhal podem ser utilizados para localizar a lesão em uma região particular da medula espinhal4.
Os métodos de diagnóstico por imagem da hérnia de disco são radiografia simples, mielografia, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM).
Cada um mantém vantagens na avaliação de diversas patologias, por isso a escolha do exame a ser realizado depende de diversos fatores como os sinais clínicos, diagnóstico mais provável e experiência do radiologista e do médico assistente5. Radiografias são indicadas para confirmar a lesão, porém nem todos os discos intervertebrais herniados são aparentes nas radiografias de rotina.
A mielografia pode ser necessária para localizar definitivamente um disco intervertebral deslocado em pacientes em que a cirurgia estiver indicada¹.
A tomografia computadorizada associada à injeção intratecal de contraste hidrossolúvel (mielotomografia computadorizada) combina as várias vantagens da tomografia com as vantagens oferecidas pela mielografia, permitindo melhor diferenciação entre o tecido de fibrose e a hérnia, principalmente em casos de recidiva após tratamento cirúrgico5. A ressonância magnética é mais indicada quando se deseja avaliar o grau de lesão tecidual provocado pela hérnia ou quando há suspeita de neoplasias ou coágulos além da suspeita de hérnia6.
Este trabalho tem como objetivo comparar o uso de radiografias simples e contrastadas com o uso da tomografia para o diagnóstico da extrusão de disco intervertebral em um cão encaminhado para o Centro de Diagnóstico Veterinário Diagnopet em Brasília. Uma vez que hoje em dia o uso da tomografia computadorizada em pequenos animais vem crescendo muito, principalmente nos grandes centros urbanos; mas ainda são escassos os estudos tomográficos em Medicina Veterinária.
MATERIAIS E MÉTODOS:
Foi encaminhado ao Centro de Diagnóstico Veterinário Diagnopet em Brasília, um cão da raça Dachshund com 5 anos de idade, com sinais de paralisia e diminuição da percepção da dor nos membros posteriores.
Baseado na suspeita clínica de extrusão de disco intervertebral o animal foi encaminhado para exame de mielotomografia computadorizada. Foram feitas radiografias simples e contrastadas a fim de comparar os achados radiográficos com os achados da mielotomografia.
O cão foi submetido à anestesia geral para garantir um posicionamento adequado nas radiografias e para realizar a tomografia computadorizada. Foi feita medicação pré-anestésica com medetomidina (50mg/kg) via intravenosa, a anestesia foi induzida e mantida com administração intravenosa de propofol (1-2mg/kg).
Com o animal anestesiado foi feita radiografia simples da coluna torácica e lombar, nas posições ventro-dorsal e latero-lateral esquerda, em seguida foi feito administração do contraste Omnipaque 300 mg I/ml, (4ml/Kg) pra realizar a mielografia e a mielotomografia, o contraste foi injetado no espaço subaracnóide através da articulação atlanto-occipital. Foi feita a mielografia da coluna torácica e lombar nas posições ventro-dorsal e latero-lateral esquerda. Em seguida o cão foi encaminhado para a mielotomografia no aparelho helicoidal ESLCINT SELECT SP, foram feitos cortes axiais e sagitais de 1 mm de toda a coluna torácica e lombar, o animal foi posicionado no tomógrafo em decúbito dorsal e foram feitos com cortes axiais e sagitais de 1 mm de toda a coluna torácica e lombar.
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
As alterações radiográficas consistentes com herniação de disco intervertebral incluem espaço de disco diminuído ou forame intervertebral pequeno ou mal delineado, diminuição das articulações facetadas e densidades calcificadas no interior do canal vertebral acima do espaço do disco envolvido, a mielografia é indicada para localizar definitivamente um disco intervertebral deslocado em pacientes em que a cirurgia estiver indicada¹.
Na radiografia simples foi visto um encurtamento do espaço intervertebral entre T12 e T13, e na mielografia foi visto uma descontinuidade na coluna de contraste, confirmando o local da extrusão de disco.
A hérnia de disco aparece na TC como uma assimetria no local do canal medular pode indicando o local e grau de compressão medular como é mostrado, mostrando uma imagem em meia lua (hipoatenuada) do canal medular, a compressão aparece hiperatenuada7, essa característica foi observada na mielotomografia feita no Duschshund.
Ao realizar a mielotomografia no cão, foi observada extrusão de disco entre as vértebras torácicas T12 e T13, com maior componente paracentral à direita comprimindo significativamente a face ventral do saco dural .
Como é possível realizar vários cortes utilizando a mielotomografia, ela mostrou a lesão medular com maiores detalhes que a mielografia, possibilitando uma localização mais exata da área da medula que estava sendo comprimida. Outra vantagem da TC é a possibilidade se realizar cortes axiais, possibilitando visualizar o completamente o disco intervertebral tornando possível localizar uma lateralização da hérnia, o que não é possível com a mielografia.
Em estudos realizados em 2009 por ISRAEL et al comparando a sensibilidade da TC e da mielografia para identificação de extrusão de disco em cães, foi observada maior sensibilidade para localização da hérnia com o uso da TC do que com a mielografia, principalmente em casos crônicos ou em animais que ainda apresentem poucos sintomas8. HECHT et al (2009) em estudo comparando a localização da extrusão de disco usando mielografia, TC convencional e TC helicoidal com achados cirúrgicos em cães condrodistróficos, obtendo correlação entre os achados cirúrgicos e destas diferentes técnicas de diagnóstico de respectivamente 78.9%, 87.4% e 85.3%, logo a TC helicoidal mostrou maior sensibilidade para localização da lesão que a mielografia.
CONCLUSÃO:
Tanto a mielografia quanto a mielotomografia possibilitaram o diagnóstico da extrusão de disco entre T12 e T13 neste caso. A
Tomografia Computadorizada esclareceu as dúvidas sugeridas pela mielografia, pois foi vista uma interrupção da coluna de contraste entre T12 e T13 na mielografia e na TC foi possível visualizar a extrusão devido à presença de material hiperatenuante no canal medular. A imagem obtida pela mielotomografia mostrou ser superior a da mielografia, devido aos maiores detalhes observados no exame, a possibilidade de realizar vários cortes axiais para uma visualização perfeita do disco intervertebral que sofreu extrusão e a possibilidade de visualização das estruturas vertebrais em três dimensões.
Os métodos de diagnóstico por imagem empregados foram complementares e forneceram informações importantes para o prognóstico do animal.
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EFEITOS DA VENTILAÇÃO COM PRESSÃO DE SUPORTE SOBRE AS VARIÁVEIS CARDIOVASCULARES E RESPIRATÓRIAS EM CÃES ANESTESIADOS COM PROPOFOL
Effects of ventilation with pressure support on cardiovascular and respiratory variables in dogs anesthetized with propofol.
Priscila A. Costa dos Santos Batista, Newton Nunes2, Paula Araceli Borges, Juliana Vitti Moro, Patrícia Cristina Ferro Lopes, Vivian Fernanda Barbosa, Emílio de Almeida Belmonte.
RESUMO:
Com este trabalho objetivou-se avaliar os efeitos da ventilação com pressão de suporte (VPS) sobre as variáveis cardiovasculares e respiratórias em cães anestesiados com propofol.
]Para tanto, induziu-se anestesia geral por meio de administração intravenosa de propofol na dose de 8 mg/kg, em 10 cães. Ato contínuo, iniciou-se a infusão contínua do mesmo na dose de 0,6 mg/kg/min e a ventilação pressão de suporte.
A VPS foi ajustada estabelecendo uma pressão inspiratória de 5 cmH2O. As variáveis avaliadas foram: frequência cardíaca, pressão arterial média, frequência respiratória, volume corrente, volume minuto, pressões parciais de oxigênio e de dióxido de carbono no sangue arterial, saturação de oxihemoglobina e pH do sangue arterial. Os tempos para mensuração dos parâmetros foram: 30 minutos após a indução anestésica (M0), e a partir daí, a cada 15 minutos (M15 a M60), completando 60 minutos de observação. As variáveis foram submetidas à análise de variância seguida pelo teste de Tukey (p< 0,05).
Conclui-se que as variáveis cardiovasculares não são afetadas pelo emprego da ventilação espontânea associada à VPS, em cães anestesiados com infusão contínua de propofol.
Palavras-chave: ventilação mecânica; infusão contínua; anestesia
ABSTRACT:
The objective of this work was to evaluate the effects of ventilation with pressure support (VPS) on the cardiovascular and respiratory variables in dogs anesthetized with propofol. Ten dogs were induced to general anesthesia by intravenous administration of propofol at the dose of 8 mg/kg. After that, began the intravenous infusion of propofol at the dose of 0,6 mg/kg/min and the VPS was set inspiratory pressure of 5 cmH2O. The variables were: heart rate, mean arterial pressure, respiratory rate, tidal volume, minute volume, arterial oxygen partial pressure of carbon dioxide, oxyhemoglobin saturation and pH of arterial blood. The time to measure the variables were: 30 minutes after anesthetic induction (M0), and there after every 15 minutes (M15 to M60), completing 60 minutes of observation.
The variables were subjected to analysis of variance followed by Tukey test (p <0.05). It was observed that the cardiovascular variables are not affected by the use of to spontaneous breathing associated with pressure support in anesthetized dogs with continuous infusion of propofol.
Key Words: mechanical ventilation; continuous infusion; anesthesia
INTRODUÇÃO:
Durante a anestesia, é necessária a utilização de fármacos, que geralmente interferem na função respiratória, resultando em padrões respiratórios irregulares, hipoventilação e hipercapnia (1). Dessa maneira, muitas vezes é preciso ventilar o paciente mecanicamente, quando o mesmo se encontra anestesiado.
O propofol pode ser usado como agente de indução e também manutenção anestésica, na forma de infusão contínua (2). O fármaco não apresenta efeito cumulativo, levando assim, a uma recuperação anestésica rápida (3). No sistema respiratório, pode causar redução do volume corrente e minuto, acarretando no aumento da PaCO2 e diminuição do pH (4).
A modalidade ventilação com pressão de suporte (VPS) trata-se de um auxílio à ventilação espontânea do paciente por meio do fornecimento de uma pressão positiva inspiratória pré-selecionada. Essa pressão é fornecida a cada esforço respiratório do paciente e mantida durante todo o tempo inspiratório (5).
Portanto, objetivou-se avaliar os efeitos da ventilação VPS sobre variáveis cardiovasculares e respiratórias em cães anestesiados com infusão contínua de propofol.
MATERIAL E MÉTODOS:
Esse trabalho foi aprovado pela Comissão de Ética e Proteção Animal, sob o protoloco nº 018683. Foram utilizados 10 cães adultos, machos e fêmeas, sem raça definida, considerados sadios, pesando 14,15 ± 3,1 kg. Induziu-se anestesia geral por meio da administração intravenosa de propofol na dose de 8 mg/kg. Ato contínuo, os cães foram intubados e conectados ao ventilador eletrônico microprocessado na modalidade ventilação espontânea associada a pressão de suporte.
Concomitantemente, iniciou-se a infusão contínua de propofol (0,6mg/kg/min), por meio de bomba de infusão. Para auxílio à respiração espontânea que foi mantida, procedeu-se a ventilação VPS, ajustando a pressão inspiratória para 5 cmH2O.
A fração inspirada de oxigênio (FiO2) empregada foi de 60%. Em seguida a artéria metatársica dorsal foi cateterizada por punção percutânea, para posterior mensuração da pressão arterial e coleta de amostra de sangue para a hemogasometria. As variáveis avaliadas foram: frequência cardíaca (FC), pressão arterial média (PAM), obtido por leitura direta em monitor multiparamétrico. Frequência respiratória (f), volume corrente (Vt) e volume minuto (Vm), obtidos por leitura direta em monitor de mecânica respiratória. Pressão parcial de oxigênio (PaO2), pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2), saturação de oxihemoglobina (SaO2) e pH, obtidos por coleta de sangue arterial. Os tempos para mensuração das variáveis foram: 30 minutos após a indução anestésica (M0), e a partir daí, a cada 15 minutos (M15 a M60), completando 60 minutos de observação. As variáveis foram submetidas à análise de variância (ANOVA) seguida pelo teste de Tukey (p< 0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Em relação à FC, esta variável permaneceu estável durante a anestesia com propofol (Tabela 1). Resultados semelhantes foram descritos por Ferro (6) que estudaram doses de infusão contínua de propofol em cães (0,2; 0,4 e 0,8mg/kg/h) e afirmaram não existir alterações da FC nas diferentes doses. Ademais, Quant (7) também observaram estabilidade desse parâmetro, após 30 minutos de anestesia com este fármaco.
Desta maneira, pode-se sugerir que tanto o propofol quanto a VPS mantém estáveis esta variável.
Quanto à pressão arterial média, esta permaneceu estável (Tabela 1) durante todo o período anestésico estudado e dentro dos limites considerados fisiológicos para a espécie (70-90 mmHg) (8).
Resultados similares foram observados por Whitewan (9), que relataram que se a pré-carga for mantida, a PAM pode ser preservada, em cães anestesiados com propofol.
Por outro lado, de acordo com Bonagura e Muir (10), a PAM sofre flutuações sutis com a instituição da ventilação mecânica e com as alterações da frequência cardíaca. No entanto, não houve alterações nas médias da PAM e nem da FC nesta pesquisa, demonstrando que a ventilação com pressão de suporte não causou comprometimento da hemodinâmica nos cães anestesiados com propofol. Vale ressaltar que a maioria dos estudos não tem relatado efeitos deletérios da VPS sobre a função cardiovascular (11).
Segundo Reves (12), ocorre um aumento de 20% na frequência respiratória durante a manutenção da anestesia através da infusão contínua de propofol a 0,1mg/kg/min. No entanto, no presente estudo, a f manteve-se estável (Tabela 1) durante todos os momentos e próxima ao limite inferior do considerado ideal para a espécie que vai de 10 a 30 mov/min (13), isso provavelmente ocorreu devido a menor dose empregada (0,6 mg/kg/min).
A PaO2 está diretamente relacionada a concentração de oxigênio fornecida e a relação ventilação-perfusão (14). Dessa forma, em cães anestesiados, são previstos valores de PaO2 aproximadamente quatro a cinco vezes maiores à FiO2 fornecida, corroborando os valores registrados neste estudo (Tabela 1), na qual foi utilizada FiO2 de 0,6.
A SaO2 é a medida da quantidade de oxigênio ligado à hemoglobina e fornece uma indicação da adequação da ventilação. Segundo Grubb (15), os valores normais para a espécie devem ser acima de 96%. Nesse estudo, as médias dessa variável ficaram acima dos valores considerados ideais, e se mantiveram estáveis durante todos os momentos, indicando que a modalidade VPS foi capaz de garantir a oxigenação dos animais durante a anestesia com propofol. Cabe ressaltar que a maioria dos autores, não tem observado alterações significativas na oxigenação arterial quando a VPS é comparada com outras modalidades de ventilação (11).
O volume corrente é o volume de ar que entra e sai das vias aéreas superiores a cada respiração, sendo que os valores considerados fisiológicos para a espécie canina situam-se na faixa de 10-15 mL/kg (16). Neste contexto, o volume minuto, corresponde à soma de todos os volumes expiratórios obtidos em 1 minuto, sendo o resultado do produto da f pelo Vt (17). O Vm adequado para cães hígidos varia entre 150-250 mL/kg/min (18).
Nos animais estudados, os valores do Vt situaram-se dentro da faixa de normalidade para a espécie, enquanto que os valores do Vm foram menores do que o limite preconizado, apresentando valor médio mínimo de 1,2 L (Tabela 1). Neste trabalho observou-se redução do Vm e aumento da PaCO2. Esse resultado é consequência dos efeitos farmacológicos do propofol no sistema respiratório, que resultam em depressão da função respiratória, que é expressa pela redução do volume minuto e aumento da PaCO2 (19).
Em relação às médias da PaCO2, como citado anteriormente, foi notado valores acima dos fisiológicos durante todo o período experimental (35-45 mmHg) (20) (Tabela 1). Portanto, o quadro de hipercapnia observado neste estudo foi causado pela infusão contínua de propofol. Resultados semelhantes foram citados por López (4) que observaram em cães, que a diminuição do Vm durante a anestesia com propofol pode prejudicar as trocas do CO2, causando retenção do mesmo.
Adicionalmente, para Kimura (21) os valores ideais da pressão de suporte inspiratória (PSI) durante a VPS, em pacientes adultos, oscilam entre 5 e 25cmH2O. No entanto, Cereda (22) afirmaram que um aumento da PSI, resulta na diminuição da PaCO2. Essa observação permite sugerir que a hipercapnia observada neste estudo, poderia também estar relacionada a uma baixa PSI empregada, durante o período experimental (5 cmH2O).
Ao analisar os dados do pH, verificou-se médias abaixo dos valores normais para a espécie, que segundo Luna (20), variam entre 7,35 e 7,45. Esses resultados indicam provavelmente a ocorrência de um quadro compatível com acidose respiratória, que de acordo com Houpt (23), pode ser causada pela diminuição da ventilação durante a anestesia, aumentando a PaCO2 e diminuindo o pH arterial. Da mesma maneira, Dries (24) ao compararem a ventilação pressão de suporte com outras modalidades ventilatórias, em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca, observaram uma PaCO2 mais alta, concomitantemente a redução do pH, nos pacientes ventilados com a VPS.
CONCLUSÃO:
De acordo com os resultados obtidos pode-se concluir que as variáveis cardiovasculares não são afetadas pelo emprego da ventilação espontânea associada a PSV, em cães anestesiados com infusão contínua de propofol.
AGRADECIMENTOS:
Os autores agradecem a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pela concessão da Bolsa de Mestrado.
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